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Empresa de locação de carros sem lojas cresce 45% e alcança R$ 392 milhões

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Com operação 100% digital, frota própria e uso de inteligência artificial, a Turbi quer expandir seu modelo para outras capitais brasileiras

A Turbi, empresa de locação de veículos criada em São Paulo, encerrou 2025 com faturamento de R$ 392 milhões, crescimento de 45% em relação ao ano anterior. A companhia aposta em um modelo diferente das locadoras tradicionais: sem lojas físicas, sem balcões e com toda a jornada feita pelo aplicativo.

Fundada em 2017, a Turbi opera atualmente com milhares de veículos e pontos de retirada espalhados em estacionamentos parceiros. A proposta é permitir que o cliente reserve, retire e devolva o carro de forma digital, sem precisar passar por atendimento presencial ou processos burocráticos comuns no setor de locação.

Modelo nasceu de uma dor do fundador

A origem da Turbi está ligada a uma experiência pessoal do fundador e CEO Daniel Prado. Depois de se mudar para São Paulo e vender o próprio carro, ele percebeu que precisava alugar veículos nos fins de semana, mas se incomodava com a burocracia das locadoras tradicionais.

Essa dificuldade inspirou a criação de uma operação mais simples, digital e conveniente para o consumidor urbano. Antes de fundar a empresa, Prado trabalhou em um banco norte-americano e conheceu modelos internacionais de compartilhamento de veículos, como a Zipcar, que ajudaram a inspirar a proposta da Turbi.

A empresa começou pequena, com poucos carros e uma equipe reduzida. Hoje, segundo a reportagem da Exame, a Turbi conta com mais de 300 funcionários e uma frota próxima de 8 mil veículos.

Sem lojas e com retirada por aplicativo

O grande diferencial da Turbi é eliminar etapas tradicionais do aluguel de carros. O cliente faz cadastro, aprovação, reserva, retirada e devolução diretamente pelo aplicativo.

Em vez de unidades físicas com balcão, a empresa utiliza estacionamentos parceiros como pontos de retirada. Só em São Paulo, são cerca de 300 pontos, muitos deles com funcionamento 24 horas por dia.

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A ideia é que o usuário consiga reservar um carro e sair dirigindo em poucos minutos. A operação atende diferentes necessidades, desde aluguel por hora até diárias e planos de assinatura mensal.

Frota própria aumentou a eficiência

Nos primeiros anos, a Turbi trabalhava com veículos de terceiros, em um modelo de sublocação. Essa estratégia permitiu que a empresa direcionasse recursos para tecnologia antes de investir pesado na compra de carros.

A mudança aconteceu a partir de 2022, quando a companhia começou a formar sua própria frota. Atualmente, os veículos pertencem à Turbi.

Segundo a empresa, a decisão reduziu o custo por veículo em quase 40%, melhorou o controle da operação e aumentou a disponibilidade dos carros para os clientes. Em 2025, a companhia registrou taxa média de utilização de 71,6%.

Tecnologia e inteligência artificial na operação

Além da frota própria, a Turbi aposta fortemente em tecnologia para competir com grandes locadoras. A empresa usa inteligência artificial em diferentes etapas do negócio, como análise de crédito, atendimento ao cliente, precificação dinâmica e verificação de danos nos veículos.

Na prática, o cliente fotografa o carro antes da retirada, e os sistemas analisam possíveis riscos, sujeiras ou batidas. A tecnologia ajuda a reduzir custos operacionais, melhorar o controle da frota e aumentar a receita por veículo.

Esse modelo contribuiu para que a empresa alcançasse uma margem EBITDA de 55% na operação de locação em 2025, ante 22% em 2024.

Venda de seminovos e novas frentes de negócio

Com a frota própria, a Turbi também passou a aproveitar melhor a venda dos veículos seminovos. Em 2025, a companhia vendeu 1.784 carros, crescimento de 39% em relação ao ano anterior.

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O preço médio dos veículos vendidos foi de R$ 93,9 mil, cerca de 21% acima do registrado em 2024.

Além da locação, a empresa começou a expandir para outras frentes. Uma delas é a Trato, braço de financiamento automotivo que utiliza dados de telemetria da operação para apoiar a análise de risco e concessão de crédito.

A Turbi também iniciou uma frente de software como serviço, voltada ao monitoramento de frotas para terceiros, incluindo bancos e outras locadoras.

Expansão para novas cidades

Depois de consolidar sua atuação na capital paulista e na Grande São Paulo, a Turbi começou a operar em Campinas e Mogi das Cruzes. A próxima etapa da expansão prevê a entrada em outros estados brasileiros a partir do segundo semestre.

Para sustentar esse crescimento, a empresa captou mais de R$ 400 milhões em 2025, entre debêntures, linhas bancárias e aumento de capital. Agora, prepara uma nova rodada para levantar cerca de R$ 750 milhões, valor que deverá ser destinado principalmente à expansão da frota.

Um novo modelo para o setor de locação

A trajetória da Turbi mostra como a tecnologia pode transformar um setor tradicional. Ao eliminar lojas físicas, digitalizar a jornada do cliente e usar inteligência artificial para reduzir custos, a empresa conseguiu crescer com eficiência e atingir alta rentabilidade.

O modelo também reforça uma tendência importante: negócios de mobilidade que combinam ativos físicos, dados, automação e experiência digital.

Para o mercado de franquias e negócios em expansão, o caso da Turbi chama atenção por mostrar como uma dor comum do consumidor pode se transformar em uma operação escalável, com potencial para disputar espaço com grandes empresas do setor.

Fonte: Exame
Com informações da reportagem publicada originalmente pela Exame.

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